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REGRESSÃO
COMO ESCOLHA TERAPÊUTICA
Uma
visão auto-biografica:
As vezes a vida nos faz enfrentar acontecimentos tão marcantes
que somos forçados pelas circunstâncias a dar uma guinada
significativa em nossas atividades e até mesmo a rever muitos
de nossos valores.
Minha vida profissional não foi muito diferente de outros
terapeutas brasileiros e, como a de todos, também teve sua
dose de esforços e tropeços, de dedicação, de pesquisa e de
luta.
Cursei a Faculdade de Psicoterapia, dirigida pelo padre Marcos
Alija Ramos, no início dos anos setenta - foi através dessa
faculdade que comecei a me interessar pelos meandros da mente
humana e seus mistérios.
Mais tarde iniciei o curso de Psicologia na então Faculdade
São Marcos (hoje Universidade) e depois me transferi para
a Faculdade Paulistana.
Como muitos de meus colegas, também não estava satisfeito
com o currículo vigente no Brasil na época, que só prestigiava
as escolas freudianas e comportamentalistas.
Numa busca incessante de conhecimentos, fiz inúmeros cursos
que abrangiam desde a Cientologia de Hubbard até a Neurolingüística
de Bandler e Grinder.
Embora tenha familiaridade com as técnicas da Gestalt e tenha
inclusive estudado com a renomada Dra. Violet Oaklander, especializei-me
nas técnicas terapêuticas da Neurolingüística e da Hipnose.
Iniciei meus estudos de Hipnose Ericksoniana com o Dr. Allan
Ferraz e prossegui através de cursos com o Dr. Jeffrey Zeig
diretor da M. E. Foundation de Phoenix no Arizona e com o
Dr. Ernest Rossi o mais famoso psicobiologista deste século.
Além da Hipnose Ericksoniana, estudei muitas outras escolas
de hipnose, tendo, entre outras, freqüentado as aulas de Engelberg
e Fábio Puentes.
Mais tarde, já clinicando e tendo publicado sessenta e três
livros, a respeito de diversas especialidades, inclusive neurolingüística,
iniciei minhas atividades como professor de Pós Graduação,
através do INPG - Instituto Nacional de Pós Graduação, tendo
ministrado aulas em inúmeras Faculdades e Universidades brasileiras;
entre outras: Centro de Ensino Superior de São Carlos; Faculdade
de Ciências Econômicas de São José do Rio Preto; FURB - Universidade
Regional de Blumenau; ICE - Instituto Cuiabano de Educação;
ISCA - Instituto Superior de Ciências Aplicadas de Limeira;
UNITAU - Universidade de Taubaté; Universidade Católica Dom
Bosco de Campo Grande, etc...
Em 1996, recebi homenagem da Câmara Brasileira do Livro por
vinte e cinco anos de contribuição ao mundo dos livros.
Em 1997, recebi PHD em Programação Neurolingüística pela World
University (USA) e Doutorado em Terapia Neurolingüística pela
World Development University (India).
Como alguns outros, do campo da psicoterapia, também eu, cheguei
às técnicas de Regressão por acontecimentos alheios à minha
vontade.
Apresentada por um de meus alunos, em 1992 aceitei uma nova
paciente - uma jovem senhora de trinta e dois anos, casada
e mãe de um casal de filhos a quem chamarei Helena, para preservar
sua privacidade e a ética da minha profissão.
A anamnése de Helena revelou um caso típico de angústia, mesclado
com estados depressivos, que havia sido diagnosticado como
Síndrome de Pânico por outros terapeutas que consultara antes
de vir a mim - nada de muito extraordinário em seu quadro
clínico.
No prosseguir das sessões terapêuticas - inicialmente duas
por semana e mais tarde reduzida para uma - parte dos sintomas
cessou mas ainda se manifestavam estados depressivos de quando
em quando.
Em uma determinada ocasião estávamos recorrendo à "linha
do tempo" (uma técnica da Neurolingüística em que o paciente
é convidado a revisitar fatos marcantes de seu passado), parecia
haver um certo "nó" preso à vida intra-uterina de
Helena (período anterior a seu nascimento).
Resolvi recorrer à hipnose para acelerar o processo e quando
lhe dava sugestões para recuar no tempo - estávamos na vida
intra-uterina - ela extrapolou para o que se revelou ser uma
vida passada.
Interrompi a sessão, trazendo-a de volta à consciência, sem
dificuldades.
Havia me utilizado da técnica hipnoterápica de Torres Norry,
que era uma variante da hipnose processual de Davis &
Husband - tudo bastante tradicional e acadêmico; nenhuma chance
para deslizes e erros.
Três sessões depois, resolvi recorrer novamente à hipnose
e mais uma vez se manifestaram os mesmos efeitos.
Desta vez segui em frente e os resultados, obtidos a nível
terapêutico, foram excepcionais, progressivos e sólidos, como
relatei em minha obra "Vidas Além da Vida".
É claro que, por ser brasileiro, reconheço em minha formação
laivos culturais típicos de um país cujo sincretismo religioso
o torna ímpar se comparado aos países do primeiro mundo, mas
na ocasião em que estes fatos se deram eu não passava de um
agnóstico, sem nenhuma inclinação a esoterismos e quejandos.
Reagi de maneira bem céptica às manifestações que ocorriam
durante as sessões de hipnose e as atribuí à metáfora do inconsciente
coletivo de Jung.
Mas embora fossem discutíveis as interpretações do que estava
ocorrendo, os resultados eram palpáveis e a melhora da paciente
uma constante.
Havia em mim uma certa luta intelectual em que me sentia impelido
a buscar uma explicação linear e ao mesmo tempo uma relutância
em admitir manifestações de outras vidas que, me pareciam
divagações alienadas de um mundo mágico, nada cartesiano.
Com a melhora dos sintomas, os diversos setores da vida da
paciente começaram a se encaixar como um quebra cabeças cuja
chave tenha sido descoberta e, através de sua reintegração
à sua família e ao meio social, obteve alta.
Embora não tivesse naquele tempo as respostas que necessitava
(tampouco as tenho suficientemente agora), resolvi estudar
o assunto e aprofundar-me na questão da regressão, estudando
textos experimentais que haviam sobre o tema.
Além desse estudo, passei a aplicar a hipnose de maneira mais
consistente em minha prática terapêutica obtendo muitas outras
manifestações que relatei no livro já citado.
Alguns anos depois destas experiências, tive a oportunidade
de conhecer pessoalmente o Dr. Brian Weiss, psiquiatra americano
que obteve renome internacional trabalhando com regressão.
Embora admire o conjunto de sua obra e até o estime como pessoa
- uma personalidade fleugmática de grande empatia - ainda
mantenho certas restrições com relação a sua abordagem.
Prefiro não me ater apenas à descrição de casos clínicos (Como
ele fez em sua obra Many Lives, Many Masters - publicado em
português pela Salamandra, com o título de Muitas Vidas, Muitos
Mestres.), já que eles são muito comuns e se fazem presentes
em qualquer arquivo de casos de terapeutas medianos que trabalhem
com a hipnose.
Acho que uma abordagem que inclua a experimentação de outros
pesquisadores seja mais didática e útil não só aos leitores,
mas também a todo terapeuta que tenha a intenção de adotar
técnicas de regressão.
Não tenho a pretensão de ser o único dono da verdade e nem
de tentar passar o verdadeiro sentido da vida.
Espero todavia, que as pessoas que buscam a regressão como
recurso terapêutico tenham uma precaução coerente no que se
refere a "profissionais" e cursos sobre regressão
que misturam uma série de bobagens e crenças esotéricas a
um conhecimento superficial sobre o tema.
Dr.
Marco Natali
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