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AUTOCONHECIMENTO
E BUSCA ESPIRITUAL
A
busca do sagrado sempre foi a grande meta dos nossos antepassados
que se reuniam à noite em círculos, com uma fogueira no centro
e recordando que o homem é essencialmente divino e luminoso.
As danças, os cantos, as orações e as práticas meditativas
eram rotina para os povos mais antigos. As conexões com o
espiritual e com o sagrado eram tão importantes quanto comer
e trabalhar.
Infelizmente
com o passar dos tempos, o homem foi se afastando cada vez
mais de si mesmo e cultuando objetos sacralizados pela televisão
e vendidos nos shoppings das grandes cidades. Objetos carregados
de fantasias que magnetizam e induzem um estado alterado de
consciência, muito semelhante a um transe hipnótico, levando
o homem a uma busca compulsiva por produtos desnecessários
e ilusórios. Os shoppings tornaram-se os templos da modernidade.
Visitamos as lojas nos momentos de vazio e de depressão, esperando
encontrar alguma salvação.
Assim,
o que observamos hoje em dia são pessoas vazias procurando
algum sentido para a vida. Pessoas que não encontram em nenhum
lugar o centro tão necessário para nortear e guiar suas vidas.
O problema é que ele não se encontra fora de nós mesmos. Esse
centro se encontra nas profundezas do nosso ser esperando
uma chance de irradiar a sua luz e o seu calor.
Há
muito venho trabalhando em minha clínica como psicoterapeuta
nas abordagens humanista e transpessoal e o que observo na
minha experiência são pessoas que carregam dentro de si um
desejo muito especial e profundo. Um desejo de sentido e de
significado, um desejo essencial que as coloca numa jornada
sagrada e mítica, muitas vezes penosa e dolorida, procurando
conhecer e entender seus próprios mitos pessoais.
A
caminhada é cheia de surpresas e de perigos, mas vale a pena.
Poucos têm a coragem de iniciar essa aventura. A maioria prefere
os bares, as lojas, os jogos de futebol ou soluções mágicas
e rápidas para os seus problemas. Conhecer os desejos mais
profundos, se aproximar dos medos, acariciar as feridas e
desenvolver o pleno potencial que carrega a alma humana é
uma tarefa urgente para todos nós.
O
Homem não é apenas um conjunto complexo de tecidos e orgãos
capaz de pensar, sentir ou agir. O ser humano é um ser de
luz conectado, em sua estrutura mais ínfima de matéria, a
todo o universo. As galáxias estão dançando dentro dos nossos
corações, as estrelas estão brilhando aqui e agora no centro
do nosso peito no chakra cardíaco, os universos estão bailando
na grande sinfonia da criação.
Resgatar
o centro de vitalidade e de criatividade é o grande desafio
do Homem nesse novo milênio. Fazer um contato profundo e permanente
com o nosso centro pessoal e transpessoal é a grande aventura
que nos espera. A saga da alma em busca de si mesma e em busca
do outro. Toda essa riqueza não se encontra em lugar algum
a não ser dentro de nós mesmos.
Apesar
de toda violência, ignorância, desumanidade, misérias materiais,
afetivas e espirituais, ainda vibra dentro de todos nós a
esperança de um dia amadurecermos enquanto seres humanos.
Mas para isso precisamos arrumar as malas para a grande viagem
em direção ao nosso centro de vida e de felicidade, atravessando
antes as matas perigosas, as marés turbulentas, as noites
escuras e cheias de mistério, enfrentando dragões e monstros
terríveis.
Precisamos
recuperar a memória essencial de que o tesouro mais valioso
se encontra dentro da nossa própria alma e do nosso próprio
amanhecer.
Dr.
Antônio Ricardo Nahas
Psicoterapeuta
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