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MASSOTERAPIA

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A DOR, DEVE SER COMBATIDA?

   Existe, entre os terapeutas em geral, uma corrente de pensamento na qual a dor deve ser a primeira preocupação, tem de ser removida. Seria assim? 

   O que é a "Dor"? Não como ela é, mas o que é? Singelamente falando, a dor é um "alarme", um sinalizador de que algo não esta bem. Vamos pegar o exemplo do "alarme": Quando colocamos um alarme numa casa esperamos que ele funcione nos dizendo, informando, quando nossa casa estiver sendo ameaçada. Pois bem, digamos que ele comesse a soar as 4 hrs. da manhã. O que faríamos? Investiríamos contra ele, indignados por nos ter  acordado e o desligaríamos voltando à dormir? Certamente não faríamos isso. Nossa primeira preocupação seria "por quê ele disparou". Quem invadiu nossa casa? Não voltaríamos à dormir até descobrirmos isso. Ora, se este é o proceder correto sobre os "alarmes" que disparam, por quê mudá-lo no caso da DOR? Não obstante é o que vem ocorrendo. O uso indiscriminado de relaxantes musculares, analgésicos, antiinflamatórios, tratamentos fitoterápicos, e, por que não dizer, a própria aplicação da massagem, todos estão sendo usados visando a eliminação da DOR. O paciente faz sua queixa e o terapeuta apressa-se em proporcionar-lhe o alívio tirando-lhe a DOR, ou seja, desligando o alarme, ficando feliz quando percebe que foi bem sucedido no seu intento. Voltemos ao exemplo da casa. O que acharíamos se o dono da casa desligasse o alarme ficando feliz por ter acabado com o barulho e, tranqüilamente, voltasse à dormir? Na verdade quem ficaria muito feliz seria o "ladrão". Então, se o raciocínio apresentado é tão óbvio, por quê tantos agem desta forma, em prejuízo do paciente?

   Parece estar  faltando reflexão.

   O quê nós, terapeutas, deveríamos fazer? Em primeiro lugar descobrirmos a causa da dor, seu histórico. Nas dores oriundas da coluna vertebral ou de seus comprometimentos como a bursite (não traumáticas), epicondilite,  "síndrome do túnel do carpo", dores de cabeça, tonturas, labirintite, dificuldades respiratórias, problemas gástricos, cãibras, e outros, sempre encontramos o verdadeiro vilão na "Má Postura". Simples não? Mas quantos terapeutas, nos casos acima, iniciam o "TRATAMENTO" de seu paciente pela correção postural? Lembro-me de uma paciente que me procurou com o diagnóstico de epicondilite. Ela pediu ao seu terapeuta a origem desta epicondilite e a resposta foi: Tu tens o que chamamos de "síndrome dos microtraumas repetitivos mal absorvidos" (LER) . Ela era digitadora e foi, devidamente medicada e encaminhada para sessões de fisioterapia que tinham por objetivo tirar-lhe a dor. Pois a dor não passou. Não buscou-se o "vilão" responsável. Se a paciente tivesse o discernimento de perguntar ao seu terapeuta: Por quê os microtraumas repetitivos não mais estavam sendo absorvidos? Ele, certamente, saberia dizer-lhe que, no cotovelo, temos uma bolsa cuja finalidade é a de reter um líquido lubrificante para esta articulação e que esta bolsa teria inflamado,(como se esvaziado), e era isto que lhe provocava a dor. Mas se ela insistisse e perguntasse ao terapeuta: Por quê a bolsa inflamou ou "esvaziou"? Então ele lhe diria que por ali passava um nervo que , por estar irritado, contraia a região dificultando a "limpeza das toxinas" e a reidratação da bolsa, daí a inflamação. Se nossa paciente abusasse da boa vontade do terapeuta e continuasse a questioná-lo a próxima pergunta seria: Por quê este nervo está irritado? A resposta viria: Tu, quando baixas e voltas a cabeça para o lado ao  digitar, projeta um ou mais de teus discos cervicais sobre raízes nervosas que emergem de tua coluna, na região do pescoço. Esta pressão irrita a raiz ou raízes que, por sua vez, contraem  a musculatura por onde passam dificultando a limpeza pelo retorno venoso ( predispondo à inflamações) e impedindo a hidratação das "bolsas" que existirem no seu percurso (poderia ser no ombro ou pulso) entendeu? Então, diria ela, o meu problema está na maneira como trabalho? O terapeuta teria que admitir que sim. Viram, o "vilão" era a MÁ POSTURA. Então, do que adiantaria os antiinflamatórios, relaxantes musculares, sessões de fisioterapia, infiltrações, massagens na região se a postura de trabalho não fosse  corrigida. Tudo que se faria teria por objetivo "desligar o alarme" e não "prender o ladrão". Agora pensem: quantos dos que se intitulam terapeutas tem esta preocupação, ou seja, a de procurar onde está a MÁ POSTURA (poderá estar no trabalho, lazer ou descanso) ? Quantos se preocupam com a correção postural? Muitas vezes uma simples troca de colchão resolve o problema. Com certeza  a "verdadeira cura" esta ai. O que se faz após destina-se a apressar a cura, nada mais.

Rubens J. Balestro
Professor de massagem terapêutica.