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AROMAS
DO BEM
Um
bom aroma pode fazer muito mais do que apenas perfumar. Folhas,
flores e cascas, transformadas em óleos aromáticos, têm usos amplos.
Suas propriedades calmantes, tônicas, antibactericidas, adstringentes
e mesmo afrodisíacas, podem ser empregadas tanto para atenuar o
estresse de um dia agitado quanto para tratar de problemas estéticos.
Presentes em quantidades bem pequenas em todas as plantas, os óleos
essenciais são sua força vital. Cada um deles tem um efeito curativo
próprio, específico, que pode ajudar o organismo humano a restabelecer
a harmonia de suas diversas funções e devolver o equilíbrio entre
corpo e espírito.
"Como possuem moléculas menores do que as dos óleos sintéticos
e minerais, os óleos essenciais são absorvidos pelos poros, penetram
na corrente sanguínea e são metabolizados pelo organismo",
explica o aromaterapeuta Helder Carvalho, do Rio de Janeiro.
Extraídos de flores, como as da lavanda; de folhas, como o alecrim;
de cascas, como a canela; de sementes, como a erva-doce; de resinas,
como a mirra; de cascas de frutas, como a laranja e a bergamota;
ou de raízes, como a do vetiver, estes óleos têm inúmeras aplicações,
a partir de suas propriedades terapêuticas. "A milenar medicina
ayurvédica, dos indianos, prescrevia estes óleos contra diversos
males", diz. Helder Carvalho.
Um recurso tão antigo quanto a humanidade
Os primeiros usos da aromaterapia remontam a civilizações antigas:
Egito, China e Índia. Foram os indianos que mais os usaram, em massagens
terapêuticas ou ingeridos. Mas a aromaterapia tal como a conhecemos
foi criada a partir das descobertas do químico e perfumista francês
René Maurice Gatefosse, no início do século 20.
Ele redescobriu as propriedades terapêuticas dos óleos essenciais
a partir da própria experiência, quando se queimou num acidente
de laboratório. Desesperado de dor, mergulhou o braço machucado
num recipiente de óleo de lavanda. E observou que, além do alívio
imediato, a pele cicatrizou mais rápidamente e ficou sem marcas,
ao contrário do que esperava.
Foi o ponto de partida para que Gatefosse começasse a estudar a
ação de regeneração celular do óleo de lavanda e de outros óleos
aromáticos. Ao batizar suas descobertas como aromaterapia, ele começou
a difundir um conhecimento que seus seguidores passariam ao resto
da Europa.
Mais recentemente, os aromas voltaram a ganhar a atenção não apenas
dos seguidores de terapias alternativas, como da indústria cosmética,
que passou a incorporá-los em diversos produtos. A extração dos
óleos, no entanto, exige uma enorme quantidade de plantas - para
um litro de óleo de rosas é preciso uma tonelada de pétalas. Por
isso mesmo, geralmente ele é refinado e diluído em outro óleo vegetal
que lhe sirva de veículo. «Exatamente devido a esta diluição, é
preciso escolher óleos de boa qualidade e procedência», adverte.
Helder enfatiza a necessidade de uma indicação criteriosa para cada
caso. "É preciso haver uma avaliação detalhada do paciente,
conhecer os diversos fatores que podem estar contribuindo para determinada
manifestação. E saber que um óleo pode não ter igual efeito em pessoas
diferentes, mesmo que elas apresentem sintomas semelhantes. O que
é natural. Afinal, igual problema pode ter causas distintas, em
pessoas diferentes», ressalva.
Depois da avaliação, é preciso saber sob que forma a aromaterapia
será mais adequada a cada caso: se diretamente, com massagens ou
em aplicações tópicas - que tanto podem ser feitas sobre a região
problemática como sobre os meridianos da acupuntura. Ou indiretamente,
através de incensos ou da inalação feita com difusores que dispersam
o odor pelo ambiente.
Mas é preciso estar atento. Embora costume acrescentar uma pequena
gota de óleo de menta no chá, para aproveitar seus efeitos digestivos,
Helder desaconselha o consumo oral. O risco de se ultrapassar a
dosagem correta é grande e o efeito pode ser tóxico. O terapeuta
também não costuma indicar a aplicação direta de um óleo essencial
puro sobre a pele para evitar possíveis reações alérgicas.
O melhor é diluí-lo em álcool ou em outro óleo vegetal, como o de
girassol, germe de trigo ou semente de uva. Para evitar riscos,
as formas mais seguras são a inalação - modo de aplicação mais usado
para problemas emocionais - ou a massagem, para problemas físicos.
A esteticista Rosani Sarubbi começou a experimentar a aromaterapia
com suas clientes há cinco anos e comprovou na prática sua eficácia:
os óleos essenciais potencializam o efeito de máscaras, esfoliantes,
cremes de massagem e cosméticos diversos, acelerando o tratamento
e melhorando os resultados. Eles podem ser empregados em compressas
ou incorporados a cosméticos em tratamentos faciais e corporais.
"Levando-se em consideração o perfil do paciente, seu estado
emocional e o objetivo terapêutico, escolhemos os óleos e a forma
mais adequada para cada caso.
"No caso de massagem, a interação é ainda mais visível e os
efeitos benéficos são duplos. Além do estímulo à circulação venosa
e linfática e do alívio aos pontos de tensão e de contratura muscular
que a massagem por si só proporciona, ainda se tem o efeito dos
aromas. Através do olfato, eles chegam até o cérebro, provocando
sensações de prazer e fazendo com que seus efeitos relaxantes e
estimulantes ajam sobre todo o corpo.
Conheça os aromas e suas indicações
Lavanda - um dos mais versáteis, tem ação cicatrizante e
calmante, é analgésico e antidepressivo. É indicado para pessoas
agitadas ou com enxaqueca, depressão, insônia, acne, queimaduras,
lesões e picadas de insetos.
Ylang-ylang - afrodisíaco, atua sobre a impotência e a frigidez,
estimulando a libido. Tem também ação sedativa, e seus efeitos calmantes
também podem ser sentidos sobre a pele, particularmente as oleosas.
Tea tree - de propriedades anti-sépticas documentadas, antifúngico,
com incrível poder antiinfecioso, chegou a ser incluído nos estojos
de primeiros socorros durante a Segunda Guerra Mundial. Indicado
para infecções por fungos, afeções da pele em geral e acne em particular,
caspa e cuidados com os cabelos.
Rosa - tem propriedades tônicas, adstringentes e depurativas.
É indicado contra tensão nervosa, para cuidados com a pele, especialmente
as sensíveis e envelhecidas. A água de rosas também é ótima contra
rugas e inflamações.
Reportagem
com Prof.
Helder Carvalho p/ PlanetaVida
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