HISTÓRICO
DA ACUPUNTURA
A
acupuntura talvez tenha sido a primeira forma racional de medicina,
se contarmos que a herbática (ramo da medicina que adota o uso
de ervas no tratamento das doenças) é de origem remota e instintiva
entre os seres humanos.
O
"Homem de Pequim, espécime humano que habitou nosso planeta
há cerca de 30 mil anos, já fazia uso de ervas. No entanto, o
uso de instrumentos,como estiletes de pedra para estímulos cutâneos
específicos, visando a equilibrar a circulação energética do organismo
(1) foi feita racionalmente, usando já a função oponente do dedo
polegar (o homem é o único ser a possuir esse privilégio) aliada
ao seu desenvolvimento cerebelar e cortical, que são os centros
das funções racionais de pesquisa e coordenação de motricidade.
(1) Modernamente sabemos ser composta de veias, artérias e nervos,
além do campo quântico provocado pelos eletrólitos que são conduzidos
e compõem essas estruturas.
O misterioso mundo da acupuntura só pode ser compreendido se levarmos
em consideração e respeito esta sua longevidade. Fatores que há
apenas dez anos estão podendo ser cientifica e tecnologicamente
detectados, já eram manipulados com grande intimidade por nossos
antepassados ! Mas se admiramos hoje em dia nossas máquinas computarizadas
de sensibilidade, visualização e penetração impressionantes, porque
não louvamos os antepassados da espécie que a tudo isso criou
?
Pena ter havido um hiato entre esses primórdios de trinta milênios
até épocas mais próximas. Os registros que a civilização humana
detém, sobre a história de acupuntura, datam de 3.000 A.C.
Extraímos
um breve relato sobre essa prática - tão antiga quanto a China,
cujos povos, descendentes diretos do "Homem de Pequim",
começaram a compilar a história escrita da acupuntura, há aproximadamente
cinco mil anos.
O grande marco desse empreendimento foi a elaboração do 'NEI TSING",
primeiro livro conhecido, que trata de acupuntura. Era dividido
em dois volumes: o "SO QUENN", que tratava do aspecto
teórico e o 'LING TSROU', que instruía sobre conhecimentos práticos
da acupuntura. O próprio "NEI TSING" relatava que civilizações
anteriores (dinastia Tcherou - 18.000 a 3.000 A.C.) usavam "agulhas"
feitas de pedra. "Este método hoje em dia está abandonado"
dizia o primeiro livro de Acupuntura.
É importante lembrar que a palavra "acupuntura", de
origem latina, quer dizer etmologicamente "acus",(agulha)
e "puntur"(punção). Mas não tem correspondência no vocabulário
chinês que se refere a esta palavra da seguinte forma: "TCHENNTSIOU",
que quer dizer, respectivamente, agulha e moxa.
Acrescenta o "NEI TSING" que as agulhas teriam vindo
do sul da China, aonde "o sol era abundante e as terras eram
férteis". O clima era agradável e seus habitantes tinham
a face rosada. As doenças geralmente eram causadas por "excessos,
desse modo as agulhas eram usadas de modo a dispersar esse efeito
patológico ... " Já ao Norte,.o clima era frio e "...
reinava o vento glacial, as doenças advinham da 'insuficiência
e vazio'. Daí a razão para usarmos moxas (pequenos cones, geralmente
constituídos de uma erva chamada artemísia que, provida de propriedades
de combustão lenta, uma vez acesas, pode provocar o estímulo pelo
calor do ponto de acupuntura)..."
O 'NEI TSING' foi encomendado pelo Imperador amarelo Huang Ti,
que governava os povos que habitavam as margens do Rio Amarelo.
Foi escrito pelo médico Tsri Po (Ki Pa) com ajuda de seus colegas
Lei-Kong, Iu Fou, Po-Kao e Chao-Iu. Suas páginas já se referiam
à circulação sangüínea e acrescentava o papel do baço como "...
harmonizador do sangue que recebe distribuindo-o purificado para
os outros órgãos ..."Todos os outros órgãos e funções já
eram minuciosamente descritos nessa "bíblia" da acupuntura.
Huang-Ti reinou no período compreendido entre os anos 2.797 a
2.696 A.C. e tinha entre suas ordens a de que "... me desagrada
tudo que faça adoecer meu povo. Com isso perdemos potencial de
trabalho e progresso. É meu desejo que não lhe seja dado mais
nenhum tipo de medicamento que lhes possa intoxicar, assim como
não servem mais as antigas agulhas" de pedra. Ordeno que
utilizem apenas as misteriosas agulhas de metal, com as quais
podemos dirigir a energia do organismo ..."
Os períodos que se sucederam foram empreendidos esforços para
o entendimento e adoção dos ensinamentos de "NEI TSING".
No V século A.C., foi feito outro médico, chamado Pienn-Ts'io
(também conhecido por Tsrinn Iue-Jenn). Neste livro, cujo título
significa A Regra das Dificuldades, procurava-se esclarecer as
partes mais obscuras do "NEI TSING", sendo utilizado
até os dias de hoje.
Do século III A.C., até o século III D.C., durante a dinastia
RANN, pouco se acrescentou às obras já escritas, exceção feita
ao aparecimento do genial médico Hua To, nascido em 125 A.C. Foi
esse médico que aperfeiçoou a técnica de diagnóstico, através
do exame detalhado dos pulsos (pulsologia chinesa).
Outros dois médicos, dignos de destaque durante esse período foram
Tchoroun, Iu-I (179-156 A.C.) que adotou o método de "condução
de energia", que consistia em apenas colocar as agulhas sem
onificar ou dispersar; e Oang Mang (35-8 A.C.) que fez importantes
pesquisas anatômicas.
As duas dinastias seguintes (Tsinn e Oé), compreendidas entre
os séculos III e VI da era cristã, foram marcadas por grandes
progressos no desenvolvimento da acupuntura. Os principais tópicos
beneficiados por esse adiantamento foram: a precisão da descrição
e localização dos pontos de acupuntura e a solidificação do uso
da técnica diagnóstica através da palpação dos pulsos chineses.
Desta forma, Roan-Fou Mi publica, entre os anos de 265 e 280,
o "TSIA I TSING' (Regra do Um e do Cinco), também chamado
"TCHENN TSING" (Livro da Verdade). Este foi o primeiro
livro que trazia os pontos colocados precisamente sobre os seus
respectivos canais, citando detalhadamente o nome de cada ponto
e de cada papel. Começa-se também a se aplicar as regras de relacionamento
entre os órgãos e vísceras, assim como a determinar o horário
de atividade máxima de cada uma dessas estruturas. E Oang Cho-Rouo
(século IV) publica uma obra inteira e completa abordando detalhadamente
o estudo da Pulsologia Chinesa, com o título de "MO TSING"
(Regra dos Pulsos).
Do sexto século até o primeiro milênio da nossa era, foi um período
de prosperidade integral para a China. A acupuntura acompanhou
este desenvolvimento. As técnicas até aquela época existentes
começaram a se sofisticar, sendo questionado o método que só fazia
circular a energia, dando ênfase agora à tonificação e sedação
dos pontos assim como seu rigoroso aferimento através da palpação
dos pulsos.
Oang Ping faz comentários críticos ao "SOU OENN" e elabora
o "SOU OENN TSRE TCHOU", obra que traz a noção das cinco
energias perversas (ventos, secura, calor, umidade e frio) além
dos seis transtornos (contraturas, fogaços, indigestões e inflamações,
problemas nervosos e mucosidades).
Foi na dinastia Song (século X ao século XIV) que a acupuntura
começou a se difundir pela China, ensejando a criação da primeira
faculdade de Acupuntura, onde foi criado o célebre "Homem
de Bronze", que é um modelo no tamanho de uma pessoa com
a descrição de todos os pontos e canais de acupuntura, além de
outras obras importantes.
No século XIV, sob a dinastia mongólica Iuann, a acupuntura experimentou
um grande processo prático, ensaiando-se inclusive o tratamento
pelo lado oposto (descoberta dos canais distintos), entre outros.
Na dinastia Ming, que vai do século XIV até a metade do século
XVII, centenas de obras são citadas a respeito da utilização das
"agulhas e moxas" em toda a China.
Da metade do século XVII até os dias de hoje, a prática de acupuntura
na China veio se fortalecendo de tal forma que todos os povos
que de uma forma ou de outra tiveram contato com esta modalidade
de medicina, resolveram acrescentá-la ao seu arsenal terapêutico,
como primeira escolha ou coadjuvante a outro tipo de terapia que
se faça necessária.