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ASMA - REVISÃO FISIOPATOLÓGICA

A asma é uma doença das vias aéreas que se caracteriza pelo aumento da capacidade reacional da árvore brônquica a uma multiplicidade de estímulos.
A Asma se manifesta fisiologicamente por um estreitamento disseminado das passagens aéreas, que pode recrudescer espontaneamente ou em função de terapia. Manifesta-se clinicamente por paroxismos de dispnéia, tosse e sibilos.
Trata-se de doença episódica na qual as exacerbações agudas são intercaladas por períodos desprovidos de sintomas (Harrison's Principles of Internal Medicine). Classicamente existem diversos nomes chineses usados para expressar um estado "asmático" ou de dispnéia propriamente dita. (Quadro l)

QUADRO l

São diversos os nomes chineses utilizados para expressar "Asma":

Duan Qi
Respiração curta, asma.
Shao Qi
Respiração astênica, falta de força na respiração devido a deficiência de energia vital (voz baixa ao falar, lassitude, abatimento).
Chuan e Shang Qi
Asma, dispnéia (arfar para respirar).
Keni Shang Qi
Tosse com dispnéia.
Chuancu, chuanji
Dispnéia e taquipnéia.
Tan Chuan
Asma causada por excesso de fleuma.

(Retirado do Commons terms of traditional chinese Medicine in English).

Pelo lado ocidental a etiologia da Asma está dividida segundo os autores em dois tipos básicos denominados forma Extrínseca ou Alérgica e Intrínseca ou Idiossincrática (Farreras e Harrison respectivamente). O problema principal levantado pelos autores reside no fato de que nas formas alérgica ou extrínseca encontram-se evidências da origem alergo-hereditária, manifestada tanto na história familiar quanto nos valores elevados de IGE detectados no sangue.

No quadro (Quadro 2) abaixo relaciono algumas outras diferenças encontradas que distingue as duas formas clínicas.

QUADRO 2

ASMA

Intrínseca:
- História familiar e pessoal negativa para reações alérgicas
- Níveis sorológicos normais para IGE
- Sem relação com fatores ambientais.

Extrínseca:
- História familiar ou pessoal prévia de atopia
- Níveis elevados de IGE
- Relacionada a presença de alérgenos ambientais desencadeadores das crises.

Já na Medicina Tradicional chinesa encontramos referência etiológica que destaca o vento e a fleuma como fatores provocantes de uma síndrome de excesso e o Pulmão e os Rins relacionados à insuficiência (Essentiais). Como podemos observar, esses fatores estão presentes na gênese de um cem número de afecções pulmonares que não a asma definida ocidentalmente. Portanto o estudo da fisiopatologia chinesa dessa patologia é que poderá fornecer novos dados para o entendimento desse quadro tão peculiar.

Dentro do contexto reduzido do estudo da asma bocirc;nquica sob a ótica chinesa, a etiologia de excesso vento, passa a ser compreendida como o estado de asma, que apresenta como parâmetro a hipersensibilidade reacional ao agente (vento), aqui representando o fator alérgeno de caráter estacional, típicos da asma alérgica. A estação relacionada a esse movimento é a primavera, conhecido período de germinação e distribuição do pólen na atmosfera.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, o fígado (madeira) se apresenta como fator responsável, a partir de um desequilíbrio intrínseco entre a raiz Yin e a raiz Yang preponderante. O mecanismo de interferência do fígado sobre o pulmão pode ser explicado pelo ciclo dos elementos,como um mecanismo de contra dominância (Quadro 3).

O desdobramento desse processo ao nível do fígado e pulmão pode por sua vez interferir com toda a dinâmica energética do ciclo dos elementos, mas mais notadamente o envolvimento do baço (Mãe do pulmão e dominado do fígado). É conhecida a fisiologia do baço e sua ação sobre a formação das mucosidades corporais. Em outras palavras, podemos falar na formação da fleuma ou secreções ao nível dos pulmões.

QUADRO 3

Fígado (Yang > Yin) contra Pulmão
ataca Contra dominância

Vento (Yang) Pulmão (Yang > Yin)
Excesso Yang/Energia defensiva

A Asma Intrínseca por sua vez difere da Extrínseca ou alérgica em muitos aspectos; como por exemplo o início em idade mais avançada da vida, e uma ausência de sinais que evidenciem o envolvimento dos mesmos mecanismos imunológicos, assim como um não condicionamento a fatores ambientais de caráter estacional. Em geral esse processo tem início insidioso, não raramente envolvendo um quadro gripal inicial.

Com esse quadro se identifica mais a etiologia de insuficiência do pulmão. A predisposição ao ataque pelo frio (estado gripal inicial freqüentemente deflagrador) demonstra uma insuficiência da energia de defesa superficial sob a sua responsabilidade.

Portanto nesse tipo de asma não está evidente a influência estacional, muito embora se observe sua manifestação principalmente nos períodos de frio (outono e inverno). Sinais e Sintomas: Respiração curta e rápida, voz baixa e fraca, hidrose, pulso fraco.

O envolvimento dos Rins pode advir de um desgaste proveniente da falta de nutrição (mãe-filho) deste, por parte dos pulmões, dentro do ciclo de geração dos cinco elementos. Assim como do impedimento das funções de descência dos pulmões e de recepção do Qi pelos Rins (folhas e raízes). Sinais e Sintomas: Dispnéia aos esforços, calafrios com extremidades frias, pulso fino, fraco e profundo.

Significando esse quadro um aprofundamento e evolução da doença.

Inversamente, a diminuição da energia do Rim, pelo mesmo mecanismo pode se dar a incapacidade de manutenção das funções do pulmão.

Essas são, em linhas gerais as considerações sobre a patologia do processo asmático, que gostaria de apresentar. Aetiologia propriamente dita, para os desequilíbrios encontrados(deficiência do Pulmão e Rim, excesso da raiz Yang do fígado) na base, devem ainda ser estudados segundo a observação dos princípios da medicina chinesa, e devem ficar para um artigo posterior.

BIBLIOGRAFIA

1. Harrison., T.R., Harrison's Principles of Internal Medicine, ed. 8, International Student Edition e MacGraw-Hill Kogakusha, LTD, Tokyo, 1977, p.1349-1354.
2. Farreras, P.V. e Rozman, C., Medicina Interna. Editorial Marin, S.A., Barcelona,1978, p.679-687.
3. Requena, Y., Terrains et Pathologie en Acupunture, ed. 3, Maloine S.A. Editeur, Paris, 1980.
4. Beijing College of Traditional Chinese Medicine. Essentials of Acupunture, ed.l. Foreign Languages Press, Beijing, 1980.
5. Auteroche, B., e Navailh, P.O., Diagnóstico na Medicina Chinesa. Organização Andrei Ltda., São Paulo, 1986.