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Segredo Revelado


"Mas nada há encoberto, que não haja de ser descoberto;  nem oculto, que não haja de ser conhecido"
(Lucas 12.2).

É notável acompanhar-se o surgimento de uma verdade  oculta, exatamente porque todo aquele que deseja  escondê-la  o  faz sempre com toda segurança. Assim é que  a  criança  joga  no lixo os fragmentos de uma louça... ladrões enterram tesouros adquiridos indevidamente...  assassinos  lançam   ao  mar  os corpos aniquilados... Segundo nossos alvos,  entretanto,   "a mentira tem pernas curtas". Um  depoimento  mentiroso   hoje, uma falsa  testemunha  amanhã,  contradições  e   insegurança depois, abrem uma  via  para  a  verdade  que   se  pretendia ocultar.

Não parecia justo a Eduardo que o pai  o  fizesse  trabalhar enquanto seus companheiros iam nadar. Certa manhã, o  pai  o mandou plantar sementes  de   abóbora  em  todo  o  milharal, dizendo que após terminada essa  tarefa  poderia  também  ir nadar com os amigos. E lá ia Eduardo subindo e  descendo  as longas fileiras, distribuindo as sementes. Parecia-lhe que a seara crescia... Deduziu que, se colocasse só três ou quatro sementes nas covas, gastaria o dia inteiro. Daí, de repente, foi  que  lhe   apareceu  um  convite  irrecusável.  Eram  os companheiros que o chamavam para nadar. Pensou  um  pouco  e pediu-lhes que esperassem por um momento. Eles se acomodaram à sombra, enquanto Eduardo terminava a semeadura... E o  fez rapidamente, cavando ao lado de um monte de galhos secos   um buraco, e ali depositando todo o resto da  semente.  Ninguém desconfiara da sua agilidade.

Nadou bastante e, à hora do almoço, vestiu-se, e  de  enxada ao ombro voltou para casa. Vendo-o chegar,  o  pai  indagou, desconfiado:

- Oi, filho, conseguiu plantar todas as sementes?

- Sim, pai, estão todas na terra. Pareceu-me  que  elas  não estavam sadias!

Mas eram boas e não falhou  um  só  pé,  só  que  em   várias fileiras não apareceu nem uma aboboreira! Todavia, junto aos galhos secos, nasceram centenas...

Eduardo pensou que plantando-as com profundidade elas  nunca nasceriam e assim o pai   acreditaria  que  as  sementes,  de fato, não eram boas. Mas a verdade é que o garoto  não  teve como esconder o  seu  feio   procedimento.  As  sementes,  ao brotarem, revelaram o seu segredo.

Um dia, sentindo a consciência pesada,  Eduardo  procurou  o pai e lhe confessou o seu  erro.  Ao  acabar  de  narrar  os fatos, o pai respondeu:

- Há muito tempo fiquei sabendo de tudo, mas decidi  esperar por você.

- De tudo? Mas quem lhe contou? Não revelei isso a ninguém - falou o filho.

- Foi o bastante  olhar  para  aquele  amontoado  de  galhos secos. meu filho! Vá até lá e verá com seus  próprios  olhos como o segredo foi descoberto. Mas, não falemos nisso agora.
Estou certo de que você aprendeu a lição  e  sei  que  daqui para a frente poderei  confiar  em  meu  filho.  Saberá  ser honesto,  pois  certamente  aprendeu  que  não  é    possível encobrir as más ações.


Enviada por
Paulo Barbosa
Um cego na internet