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Estrela


"O qual nos livrou de tão horrível morte, e livrará; em quem esperamos que também ainda nos livrará" (2 Coríntios 1.10).

Em  nossos  momentos  de  aflições,  quer  sejamos   ou   não libertados, devemos nos manter firmes e confiantes em   Deus, porque  haverá  sempre  uma  esperança  para   nós.  Paulo, apóstolo, tal como qualquer homem normal, relutava em morrer especialmente de forma  violenta  ou  vergonhosa,  nas  mãos inimigas, impotente e indefeso  como  se  Deus  não  tivesse poder de fazê-lo vitorioso. Graças sejam dadas ao Senhor que inspira, capacita, livra   e  conduz  em  segurança  a  todos aqueles que nele confiam,  fazendo  conhecida  sua  força  e poder.

Convertida ao cristianismo, Tessa ia às catacumbas  onde  os cristãos se reuniam secretamente para o culto.  O  imperador Nero os olhava com ódio amargo e,  para  exterminar  a  nova religião,  esse  monstro   os  colocava  diante  das  feras famintas, divertindo-se e também ao povo.  Mas  Tessa  nunca fora molestada. Certa noite, bateram-lhe à porta. Abriu-a  e por ela entrou um homem conduzindo pela  mão   uma  menina  e
dizendo que centenas de cristãos seriam lançados  aos  leões no dia seguinte, inclusive os pais da menina que se  chamava Estela. Essa meninazinha foi como um raio de  sol  na  pobre habitação de Tessa. Começou a chamá-la de mãe   e  se  tornou uma encantadora moça. Nada veio empanar o brilho da   alegria daquela quieta casinha.

Porém, circulou em Roma a infame notícia de que os  cristãos haviam danificado a estátua  de  Nero.  O  cruel  imperador, então, começou a puni-los e, dessa vez, Tessa e  Estela  não escaparam.  Foram   colocadas  em  celas  separadas  e  ambas condenadas à morte.

Chegou a manhã do dia fatal. Lá  estava  Nero,  no  camarote imperial, tomado como de um embriagado torpor, deleitando-se com a tortura dos cristãos fiéis. Chegou a vez de  Estela  e Tessa. Ao vê-la, a pobre jovem dizia:

- Oh, mamãe! - e correu para  ela  abraçando-a,  até  que  a velhinha gritou...

Era um  leão  africano  que  se  dirigia  para  elas.   Tessa ajoelhou-se e se pôs  a  orar.  Estela,  encarando   o  leão, postou-se em frente da mãe para protegê-la. O leão avançava, mas ela estendeu os braços entre a  fera  e  a  mãe  que  se mantinha  em  oração.  Nunca  se  viu tamanha coragem. Estrepitosos aplausos encheram o  ar  e  em  seguida  fez-se profundo  silêncio.  A  moça  aproximou-se  do  animal   e  o acariciou. O terrível leão deteve-se por um pouco  e  depois vagarosa e calmamente voltou-se e foi embora.

O  imperador  riu-se  da  cena. O que o agradou  fora o romantismo e não o exemplo de fé. Contudo, diante  do  que acabara de presenciar, ordenou:

- Essa jovem fez algo diferente. Não  vemos  todos  os  dias tanta coragem! Que ela e a mãe sejam postas em liberdade.

Momentos após, Tessa e Estela estavam em  casa,  louvando  a Deus pelo livramento tão extraordinário e  desejando  que  o milagre operado   para  salvá-las  da  morte,  que  já  havia ceifado a vida de centenas de cristãos,  agora  significasse vida para outros que, como elas, decidiram ficar do lado  do Pai.

Enviada por
Paulo Barbosa
Um cego na internet