PÁGINA INICIAL PÁGINA INICIAL

 


O vestido de Festa

"Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te" (Apocalipse 3.19).

Existem pessoas que  são  exageradamente  zelosas  tanto  em relação à sua vida pessoal como espiritual.  Certamente  que os extremos nunca são simpáticos, porém, em se  tratando  de zelo, cuidado e capricho, ainda é preferível  o  excesso.  A falta de cuidado sempre atrai a indisciplina, e conviver com pessoas assim é algo desagradável. Quando se é zeloso   desde os cuidados pessoais até os deveres mais sublimes,  como  os espirituais,  nunca  há  do  que  se  arrepender,   porque  o cumprimento das responsabilidades foi desincumbido da melhor forma possível.

O desmazelo era o pior hábito de Lúcia. Ela voltava da  aula e atirava seus pertences escolares sobre a  mesa;  as  meias eram encontradas nos cantos. Sapatos e lancheira em qualquer outro lugar. Por mais  que  lutasse,  a   mãe  não  conseguia descobrir um meio que pudesse corrigi-la. Houve uma festa só para as crianças  e  Lúcia  compareceu.  Estava   esplêndida.
Bolos, refrigerantes e prêmios a valer. A garota deixou  ali extravasar o cálice da sua alegria, enquanto durou a festa e houve gente por perto.

Barulhenta e excitada, Lúcia retornou à casa, relatando tudo quanto havia acontecido. Estava feliz por não haver  deixado manchar seu vestido novo. O pai a recomendou que fosse  logo para a cama; ela, tirando os sapatos, subiu as escadas e  no quarto tirou logo a roupa e se  meteu  na  cama.  Depois  de apagada a luz, lembrou-se de  haver  deixado  o  vestido  de festa na cadeira e não no cabide, como a mãe recomendara.

-  Não  importa  -  disse  consigo.  -  Farei   isso  amanhã.
Virando-se na cama, pôs-se a dormir de imediato.

Quando acordou no dia  seguinte,  viu  que  o  seu   cãozinho arrastava, escada abaixo, o seu vestido. Gritou pela  mãe  e juntas  procuraram  deter  o  animal.  Quando  conseguiram arrancar o vestido das patas e dentes do cachorro, já estava sujo, amassado e com um buraco na saia.  A  mãe,  impaciente por mais esse descuido da filha, indagou com severidade:

- Mas como aconteceu isso? Não lhe preveni que ao voltar  da festa pendurasse o vestido? Como é que o cãozinho  conseguiu alcançá-lo, então?

- Eu sei, mamãe - soluçou  Lúcia  -  mas  estava  cansada   e pensei que pudesse  fazer  isso  hoje  pela  manhã.   Não  me lembrei das peraltices do cachorrinho.

- Bem, aí está o resultado da sua falta de zelo. Se houvesse sido mais cuidadosa e obediente, teria  evitado  o  estrago.
Vou apenas costurar o rasgo da saia, mas esteja certa de que este será o seu vestido para as comemorações de fim de  ano.
Assim, quem sabe se da próxima vez conseguirá lembrar-se  de colocar as coisas no seu devido lugar. Muitas  oportunidades já lhe foram dadas no sentido de mudar, mas   agora  basta  - falou a mãe.

Esse foi um duro castigo  para  a  garota  que,  ao  colocar novamente seu vestido róseo, viu registrada a marca  do  seu desleixo, no remendo tão visível, bem na frente  da  saia...
Ela arrependeu-se, porém, tarde demais.

Enviada por
Paulo Barbosa
Um cego na internet

v