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TENZIN
GYATSO, monge budista, doutor em filosofia budista, agraciado
com mais de 50 títulos honoris causa, Prêmio Nobel
da Paz, XIV Dalai Lama, há tempos deixou de ser apenas o
líder espiritual e secular do povo tibetano. Hoje é
uma das personalidades mais reconhecidas e admiradas do cenário
mundial. Patrimônio vivo da humanidade.
Defensor
incansável da não-violência, da tolerância,
do diálogo e da preservação dos recursos naturais
do planeta, percorre o mundo convidando-nos a refletir sobre a necessidade
de uma convivência harmônica entre os povos, as culturas,
as religiões e a própria natureza. Sua mensagem é
simples e sem rodeios, dirigida ao coração dos fatos.
Eis um exemplo:
"Quando
os seres humanos se desentendem, mostram que esqueceram suas semelhanças
fundamentais para supervalorizar razões secundárias.
Por razões secundárias um homem destrói outro
homem e destrói o planeta que o abriga. As crises, a violência,
as queixas sobre o declínio da moralidade que nos assolam,
mostram que o enorme desenvolvimento externo sem dúvida
útil e necessário não corresponde a
um mesmo nível de desenvolvimento interno da humanidade.
Esse cultivar-se internamente é que garantirá nosso
direito à felicidade e até à sobrevivência.
Porque, por mais mortíferas que sejam as armas produzidas
pelo medo e pelo ódio, é necessária a mão
de um homem para detonar o gatilho."
Atendendo
ao convite de dezenas de instituições religiosas,
acadêmicas, científicas, artísticas, organizações
governamentais e não-governamentais, S.S. o Dalai Lama visitou
o Brasil em abril de 1999. Esta foi a segunda vez que nos honrou
com a sua presença, sendo que esteve entre nós durante
as celebrações da ECO'92.
Nesta
última ocasião, S.S. visitou as cidades de Curitiba
e Brasília, onde realizou um seminário sobre Valores
Humanos Universais e sua Prática na Vida Cotidiana (Curitiba),
uma Celebração pela Paz e Renovação
da Esperança (Brasília), com a participação
de líderes religiosos e das tradições espirituais
representadas no Brasil, e palestras sobre a Não-violência
e o Cultivo da Arte da Convivência.
Partilhamos
a seguir algumas das suas mensagens.
CONVIVÊNCIA
"Hoje, enfrentamos muitos problemas. Alguns criados
por nós em conseqüência de diferenças ideológicas,
religiosas, raciais, econômicas. Entretanto, chegou o momento
de pensarmos em um nível mais profundo, em nível humano,
e a partir daí apreciar e respeitar essa mesma condição
nos outros seres humanos. Devemos construir relacionamentos mais
próximos, de confiança mútua, compreensão
e ajuda. Todos queremos a felicidade e evitar o sofrimento. Todos
temos o mesmo direito de ser felizes, e aí reside a nossa
igualdade fundamental. Não é necessário seguir
filosofias complicadas. Nosso próprio cérebro, nosso
próprio coração é o nosso templo. A
filosofia é a bondade."
RESPONSABILIDADE
UNIVERSAL "A humanidade é uma só e
este pequeno planeta é nossa única casa. Se temos
de proteger esta casa, cada um de nós precisa experienciar
um sentimento vivo de altruísmo universal. Nosso planeta
foi abençoado com vastos tesouros naturais. Se os usarmos
adequadamente, todo ser humano poderá usufruir de uma vida
rica e de bem-estar."
DIÁLOGO
INTER-RELIGIOSO "O cultivo do amor e da compaixão
é a verdadeira essência de todas as crenças.
O importante é que em sua vida diária você pratique
as coisas essenciais e, nesse nível, quase não existe
diferença entre budismo, cristianismo, judaísmo, islamismo
ou qualquer outra fé. Todas elas focalizam o desenvolvimento,
o aperfeiçoamento dos seres humanos, o sentimento de fraternidade
e de solidariedade. Nesse sentido, as diferenças entre as
religiões não são de maneira alguma essenciais."

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