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Astrologia e o Amor - Relacionamentos
No
artigo do mês passado procurei responder a uma das questões
que mais despertam o interesse e a curiosidade de todos: "Qual
signo combina com o meu?" Relacionamento é talvez a
maior preocupação do ser humano, não só
porque somos seres eminentemente sociáveis e por isso mesmo
dependentes uns dos outros para sobreviver, mas também porque
na nossa sociedade ocidental vivemos, desde a Idade Média,
um ideal de amor romântico como fenômeno de massa. Toda
literatura, cinema, revistas populares, novelas criam em nós
a expectativa da felicidade vinda através do outro e fazem
do romance a base dos casamentos e relacionamentos amorosos. Esperamos
que o outro seja perfeito, nos complete, nos mantenha e se mantenha
também apaixonados, nos revele o verdadeiro sentido da vida!
No entanto, a realidade nos mostra que continuamos insatisfeitos,
profundamente solitários, frustrados e principalmente alienados
de nós mesmos. Apesar de todo ideal romântico, não
somos capazes de construir relacionamentos afetuosos, criativos
e baseados em responsabilidade e compromisso com o outro.
Neste ponto a Astrologia pode ajudar revelando para os casais as
motivações subjacentes e os impulsos inconscientes
que aproximam ou afastam um do outro. Mas só haveria uma
real validade para que se procure tais motivações
se ambos estiverem dispostos, em primeiro lugar, a conhecer a si
mesmo e ao outro como indivíduos, em segundo, as energias
que os unem ou separam e finalmente, e mais importante, se quiserem
trabalhar sobre si mesmo para modificar o que estiver sendo prejudicial
para a relação. Uma simples curiosidade "vamos
ver se dá certo" não se justifica e seria apenas
uma leviandade a mais, entre tantas que se cometem contra os relacionamentos
humanos.
Neste processo, como já disse no artigo passado, não
são só os signos que contam, mas o mapa como um todo.
Só a totalidade do mapa pode revelar o potencial que cada
um precisa desenvolver, os desafios a serem vencidos e as qualidades
que tem para oferecer ao parceiro. Vamos agora ver, resumidamente,
o que deve ser comparado nos dois mapas. A esta comparação
os astrólogos chamam de sinastria.
Primeiramente analisamos cada mapa separadamente para conhecer-lhe
os detalhes e fazemos a entrevista com cada parceiro separadamente,
para que ele se conheça melhor. Depois juntamos os dois mapas
e olhamos o desenho no centro que se forma pelas linhas que ligam
um planeta ao outro. O que podemos ver? Se as linhas de um forem
horizontais e do outro verticais, ou se de um formar um triângulo
e do outro um polígono, a relação será
estimulante, mas os dois serão muito diferentes e, passada
a euforia do "estarem apaixonados", poderão se
estranhar. Se os planetas de um estiverem todos , ou a maioria deles,
do lado direito do mapa e do outro do lado esquerdo, haverá
uma complementação de interesses, mas um será
mais voltado para si mesmo e poderá não entender a
constante necessidade de confirmação do outro e ficar
bastante irritado com isso.
Depois podemos ver as cores que estão presentes. Se um tiver
uma grande quantidade de vermelho (energia de ação),
sua tendência será se unir a quem tenha uma quantidade
razoável de verde ( sensibilidade, capacidade de percepção)
ou azul ( possibilidade de relaxar e desfrutar os prazeres da vida),
para que o outro lhe dê o que lhe falta. Isto acontece muito
mais do que podemos supor e gera, depois de algum tempo, a inveja
de um parceiro pelo outro porque ele não é capaz de
desenvolver por si mesmo aquelas qualidades que um dia apreciou
no outro. A tendência é que o que um dia foi apreciado,
comece a incomodar e a necessitar ser reprimido. É muito
comum vermos pessoas introvertidas se casarem por compensação
com pessoas extrovertidas e depois se queixarem amargamente um do
outro. O que um dia pareceu estabilidade, passa a ser considerado
prisão e o que pareceu alegria, passa a ser considerado leviandade,
superficialidade e assim por diante.
Numa comparação de mapas , o mais produtivo não
é comparar os signos, mas verificar em que casas os planetas
de um caem no mapa do outro. Em nossas vidas ficamos sempre envolvidos
pela confrontação e luta com as circunstâncias
externas e , em nossas parcerias, quem representa o nosso ambiente
imediato é o parceiro, com quem partilhamos nossa vida diária
com maiores ou menores atribulações. Assim, quando
temos uma casa vazia, naquela área da vida somos mais ou
menos inexperientes e o outro pode nos ajudar e nos completar. Por
exemplo: se temos uma casa dois vazia (que se refere a posses e
valores, tanto materiais como espirituais), se tivermos um parceiro
com uma casa dois cheia, ele poderá nos ensinar a lidar com
dinheiro, e isto será muito proveitoso!
Outro modo de olhar, e é extremamente revelador, é
justapormos os planetas de um no mapa do outro, pela posição
nos signos e verificarmos os "clicks" (pontos de contato)
que se formam. Para a relação durar, é necessário
que haja pelo menos mais de um ponto de contato. Se não houver
nenhum, a energia logo se esgota e a relação se desfaz,
porque não tem como se sustentar. Observando os "clicks"
que se formam entre os planetas, os pontos de contato entre eles,
teremos a percepção exata da dinâmica que envolve
a parceria.
Uma palavrinha: antes de ter a expectativa de viver na relação
um estado perene de romance, ou de tentar o "e foram felizes
para sempre", um cuidando do conforto do outro, o ideal seria
que os relacionamentos pudessem proporcionar a maior chance possível
de crescimento e desenvolvimento pessoal. E não há
desenvolvimento sem crise, nem relacionamento sem conflito. São
nossos problemas que nos ajudam a ir adiante. Mais do que desejar
um amor romântico, cheio de adrenalina, o que precisamos para
sermos felizes é trabalharmos para manter as condições
de diálogo, praticar a tolerância um com o outro, estabelecer
a confiança mútua e sobretudo, estarmos dispostos
a transformarmos a nós mesmos, e não ao outro!
Regina
Martins
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