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INTRODUÇÃO
À ASTROLOGIA
A
ASTROLOGIA É TÃO ANTIGA QUANTO O HOMEM
Sabe-se que desde
15 000 AC, o homem mesolítico (pré-histórico) já observava
o Sol e a Lua. Todas as civilizações da Antigüidade praticavam
atividades astrológicas e astronômicas. Para estes povos a
Astrologia era considerara uma ciência sagrada. Quando a caça
cedeu seu lugar à agricultura, o conhecimento da dinâmica
dos astros revelou-se de vital importância como instrumento
de orientação ao plantio à colheita
. Na Antigüidade,
a atividade astronômica e astrológica aplicava-se aos interesses
do Estado e da comunidade, onde o rei era o centro de todas
as coisas, era o "microcosmo". Com o passar do tempo,
a Astrologia começou a ter o homem como objeto principal de
seu estudo, o ser humano individual como "microcosmo".
A Astrologia
é sobretudo uma ciência, possuindo aspectos de arte, de filosofia
e de religião. Estuda as correspondências entre os padrões
celestes e as situações na Terra e no interior da psique humana,
transmitindo todo esse conhecimento e suas aplicações numa
linguagem estritamente simbólica e universal.
O estudo da Astrologia
fornece subsídios básicos para o desenvolvimento de vários
tipos de interpretação, por isso a Astrologia se divide em
diversos seguimentos: ASTROLOGIA MUNDIAL, PREDITIVA, ELETIVA,
CÁRMICA, MÉDICA e, atualmente, ASTROLOGIA PSICOLÓGICA.
A ASTROLOGIA
PSICOLÓGICA
A partir da segunda
metade do século XIX, intensificam-se os estudos dos aspectos
psicológicos do ser humano. No começo do século XX surge Freud
e, com ele, a descoberta do inconsciente, os conceitos de
superego, id e libido, entre outros. Tornam-se, então, conhecidos
os processos inconscientes da psique humana, processos estes
capazes de desencadear fobias, neuroses, ou diversas outras
formas de desequilíbrio e deterioração da personalidade.
Freud se ocupou
com as patologias da psique. Seu discípulo C. G. Jung logo
percebeu que poderia ampliar as descobertas pioneiras de Freud
e, rompendo com o antigo mestre, preocupa-se também com o
fenômeno religioso e espiritual. Volta-se igualmente para
o aspecto mítico de muitas culturas, uma das manifestações
mais profundas daquilo que ele chamou de inconsciente coletivo.
Jung era profundo conhecedor da Astrologia, bem como das religiões
orientais e de técnicas de meditação.
Após Jung, aparecem
a Psicologia Humanista e, mais recentemente, a Psicologia
Transpessoal, respondendo a um anseio humano, cada vez mais
generalizado, de alcançar a expansão da consciência e níveis
mais elevados de percepção. Surge então a Psicossíntese, de
Roberto Assagioli, que visa a "fomentar ativamente a
harmonização e a integração, num todo funcional, de todas
as qualidades e funções do indivíduo - finalidade central
da Psicossíntese". (Roberto Assagioli Psicossíntese
pág. 21 1992 a 1997 Editora Cultrix)
Assim como a
Psicologia se desenvolve e se enriquece ao longo do tempo,
a Astrologia acompanha-lhe os passos. A partir de 1936, surgem
os trabalhos de Dane Rudhyar, astrólogo, psicólogo, filósofo
e poeta americano que reformula as antigas tradições da Astrologia.
Ele é o precursor da Astrologia holística, psicologicamente
orientada e centrada no ser humano, criando o que denominou
Astrologia Humanista, isto é, a perspectiva astrológica relacionada
com a Psicologia Humanista. Citando suas palavras: "O
que tentei demonstrar em todos esses escritos foi, repito,
a interdependência de um procedimento psicológico com a pessoa
humana como um todo e de uma Astrologia cujo objetivo é auxiliar
as pessoas no desenvolvimento e na realização do seu ser total
em todos os níveis". (Dane Rudhyar Um Estudo Astrológico
dos Complexos Psicológicos Prefácio pág. XI
Editora Pensamento 1994 1995)
A partir desta
preocupação em considerar o indivíduo como um todo, interligado
a um Todo Maior, a Astrologia deixou de ser um mero instrumento
de adivinhação "das ocorrências passíveis de ser fisicamente
observadas, assim como de eventos nacionais coletivos ou de
mudanças pessoais para ocupar-se das atividades conscientes
e inconscientes de que só o ser humano é capaz. A Astrologia
pode então ser usada para dizer aos Homens como eles podem
preencher melhor as potencialidades inerentes à sua natureza
e, deste modo, levarem uma existência mais plena e mais segura".
(Dane Rudhyar Tríptico Astrológico pág. 10 e
11 - Editora Pensamento 1991 a 1995).
Seguindo esta
linha psicológica, surge o Método Huber de interpretação de
mapas astrológicos que, à semelhança da Psicossíntese e de
outras terapias transpessoais, ocupa-se com o "eu do
indivíduo, com sua presença", atribuindo "uma importância
central ao conceito e à experiência de identidade", isto
é, começa a ver o ser humano a partir de dentro, de
sua condição como ser único, com seus potenciais, seus problemas
e conflitos, apresentando caminhos para a resolução deles.
(Roberto Assagioli Psicossíntese pág. 18
Ed. Cultrix 1992 a 1997)
Deste modo, torna-se
a Astrologia um instrumento útil para o diagnóstico das complexidades
da psique como também do desenvolvimento psico-espiritual
em que um indivíduo se encontra. Ao revelar quais aspectos
da Alma humana estão sendo ativados, (por ex.: a agressividade,
a flexibilidade, o medo) ou aqueles que se encontram fracos,
precisando ser desenvolvidos (por ex.: a assertividade, o
impulso para a ação, a sensibilidade), a Astrologia converte-se
num poderoso instrumento para chegarmos ao autoconhecimento.
Mais do que isto, ela aponta a direção à qual a Alma deve
dirigir-se para seguir sua jornada com mais segurança e clareza.
Apontar caminhos é função da Astrologia, mas ela não pode
dar receitas mágicas nem prever o futuro. O modo como vivemos
a Vida é responsabilidade de cada um de nós e assumir esta
responsabilidade por nós mesmos é o que se espera de um indivíduo
maduro, equilibrado e autoconsciente. Nesta tarefa de nos
descobrirmos no mundo como seres atuantes, responsáveis e
autoconscientes, a Astrologia pode ajudar e esta é sua maior
e mais importante finalidade.
A ASTROLOGIA
NA COMPREENSÃO HOLÍSTICA DO UNIVERSO E DO SER HUMANO
Desde o tempo
dos filósofos atomistas gregos, as mentes ocidentais têm compreendido
o mundo com uma visão mecanicista da realidade. Para eles,
a matéria era composta por vários blocos básicos de construção,
os átomos, de caráter passivo e intrinsecamente mortos. Eram
animados por alguma força externa, de caráter espiritual e
portanto, diferente da matéria. Daí originou-se o dualismo
espírito/matéria, corpo/alma, mente/corpo, que perdura até
hoje. Esta teoria dualista teve sua formulação mais radical
no séc. XVII com Descartes (1596 1650). Sua famosa
frase, Cogito, ergo sum (Penso, logo existo), fez com
que o homem do ocidente igualasse sua identidade real apenas
à sua mente em vez de igualá-la a um todo harmônico, englobando
mente, corpo e espírito.
Esta fragmentação
interna espelha nossa visão de mundo exterior. Temos
a impressão de que a realidade de cada objeto, pessoa, fato
ou nação é isolada, separada, auto-suficiente em si mesma.
Todas as crises, conflitos, convulsões sociais e ecológicas
derivam desta visão, desta concepção fragmentada de mundo.
No entanto, a
física quântica, isto é, a física do mundo subatômico aponta
para uma realidade muito diferente. Da mesma forma que os
místicos orientais da antigüidade preconizavam, a ciência
moderna ocidental percebe a interação e a inter-relação de
todos os fenômenos e a natureza intrinsecamente dinâmica do
Universo. Quanto mais se penetra no mundo microscópico, mais
se compreende a forma pela qual o físico da atualidade interpreta
o Universo como sendo um sistema de componentes inseparáveis
em permanente interação e movimento, sendo ser humano parte
integrante deste sistema. (O Tao da Física Fritjof
Capra)
É nesta perspectiva
que se deve entender a Astrologia: o Homem e o Universo emanam
da mesma fonte e estão, portanto, sujeitos às mesmas leis
e princípios. De acordo com o postulado de uma antiqüíssima
lei hermética: "O que está em cima é como o que está
em baixo e o que está embaixo é como o que está em cima",
há uma correspondência entre o microcosmo representado pelo
Homem e o macrocosmo representado por todas as forças do Universo.
O Homem seria o refletor desse macrocosmo e da harmonia que
há entre os diferentes planos de manifestação da Vida.
A ciência da
física moderna confirma este velho princípio. Os estudos de
Einstein provaram que a matéria é uma forma de energia e posteriormente,
a física quântica, observando os átomos, descobriu que não
é possível falar em "blocos básicos de construção material",
isto é, em objetos isolados, mas revela a existência de uma
intrincada teia de relações entre as diversas partes do todo;
ao mesmo tempo, cada parte, por sua vez, contém o Todo e então,
descortina-se perante nós a unidade básica do Universo: a
Energia.
A Astrologia
é uma linguagem de energia: a que desvenda a ligação do microcosmo
(Homem) com o macrocosmo (Universo), considerando o ser humano
não como um fenômeno isolado da criação, mas como síntese
essencial das estruturas e dos processos universais. (O Simbolismo
Astrológico e a Psique Humana Luiz Carlos T. de Freitas).
A linguagem simbólica
da Astrologia é aproveitada como instrumento valioso para
o autoconhecimento, para a compreensão do que somos nós em
correspondência aos acontecimentos em nossas vidas, sempre
dentro do contexto de que o Universo interno do Homem não
está separado daquilo que o cerca e, na certeza absoluta de
que o cosmos interior e o cosmos exterior são faces de uma
única realidade. (Novos Oráculos Trigueirinho
Editora Pensamento)
OS CINCO
NÍVEIS DO MAPA
O Mapa Astrológico
mostra o nosso potencial de energia que deve ser desenvolvido
e vivido da melhor maneira possível para que possamos cumprir
nossa tarefa no mundo e assim sermos felizes. Esta energia
distribui-se em cinco níveis.
Olhando-se o
Mapa, de dentro para fora, vemos no centro um círculo que
simboliza a nossa Alma, o nosso eu pessoal e transpessoal,
aquilo que me faz uma entidade única e, ao mesmo tempo, ligada
ao Todo Universal. É o que nos faz Filhos de Deus e o que
nos dá a consciência da Eternidade. Este Centro, este Eu interno
é a projeção, a manifestação do Eu Superior, que utiliza a
personalidade para expressar-se no mundo físico.
A Alma impulsiona
a nossa personalidade a viver uma série de experiências no
mundo externo. Quaisquer que sejam as experiências vividas
por nossos egos, mesmo que as consideremos gratificantes ou
dolorosas, nada poderá desequilibrar ou desestruturar a nossa
Alma. Ela, em qualquer circunstância, permanecerá sempre perfeita,
plena e eterna: divina.
O Eu interno,
simbolizado pelo pequeno círculo no centro do Mapa Astrológico,
organiza uma tarefa individual a ser cumprida. Esta tarefa
vem expressa no segundo nível do Mapa: a Estrutura de Aspectos
linhas coloridas que ligam os Planetas entre si, formando
figuras geométricas. O conjunto dos Aspectos retrata as nossas
motivações básicas que correspondem ao propósito de nossa
Alma para esta vida atual. Elas são profundamente inconscientes
porque costumamos estar desconectados do nosso Eu interno.
Nossa tarefa no mundo é trazer para a consciência estas motivações,
aquilo que, sendo realizado, vai fazer-nos felizes, sintonizados
com o propósito da Alma.
Os planetas formam
o terceiro nível do Mapa. Eles constituem o conteúdo da nossa
psique, isto é, nossos impulsos psicológicos, nossas necessidades
e instintos. É através deles que as energias cósmicas são
expressas no mundo. Então, os planetas são o "instrumento
através dos quais o ser humano faz contato com o mundo, percebe
e experimenta o mundo, estabelecendo com ele uma troca vital
e funcional". (Bruno e Louise Huber Casas Astrológicas
pág. 20 Totalidade Editora). No momento do nascimento,
cada planeta se encontra situado num determinado signo. Os
signos constituem o quarto nível do Mapa.
Os signos são
qualidades cósmicas herdadas geneticamente, ou seja, cada
signo é "uma dentre as doze diferenciações básicas da
força solar ". Eles definem o que chamamos de os doze
temperamentos ou tipos básicos da personalidade. São, portanto,
nossa fonte de energia.
Citando Dane
Rudhyar: "Isso, por sua vez, resulta num modo específico
de sentimentos e de processos mentais que caracterizam as
pessoas desse tipo. No entanto, isso não quer dizer que o
indivíduo pertença exclusivamente a um tipo. Astrologicamente
falando, todos os doze signos do Zodíaco todos os doze
tipos de relacionamento da vida sobre a Terra com a fonte
do poder vital, que é o Sol são atuantes dentro da
natureza humana. Todo ser humano, apenas por ser humano, participa
potencialmente de tudo quanto a natureza humana implica como
um todo, mas participa desse potencial humano total em graus
variáveis." (Tríptico Astrológico pág. 13
Pensamento)
Do primeiro ao
quarto nível, o Mapa Astrológico descreve a configuração interna
de cada um de nós, aquilo que nos pertence, aquilo que nos
foi confiado para realizarmos um projeto específico de nossa
Alma. Este projeto, como seres encarnados que somos, deve
ser expresso no mundo. Só assim nos tornaremos conscientes
de nós mesmos. O mundo, o meio externo a nós constitui o quinto
nível do Mapa.
As Casas representam
o mundo, o meio ambiente, o campo de experiências, o espaço
onde faremos a interação de nossas motivações internas com
o mundo exterior. É nesse mundo que representaremos nossos
papéis sociais, ou seja, onde procuraremos adequar nossa predisposição
natural com o que o mundo nos pede. Neste intercâmbio entre
o que está dentro e o que está fora, acontece um mútuo enriquecimento.
Nossa atuação no meio sempre causa reação. Do mesmo modo que
o mundo desperta em nós a consciência de quem somos, nossa
atuação nele o torna diferente. Este movimento de dentro para
fora e de fora para dentro é que torna a Vida tão interessante!
Esta
troca de experiências com o mundo se dá nas mais diversas
etapas do desenvolvimento humano, uma vez que precisamos da
interação com o meio a fim de realizarmos a principal tarefa
da nossa encarnação: adquirir consciência de nós mesmos.
Regina
Martins
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