Flores
e plantas afrodisíacas
Desde
tempos muito remotos, flores e plantas em geral estão relacionadas
a poderes mágicos. E nesse aspecto, um dos usos mais comuns tem
sido como afrodisíaco. A imagem de belas feiticeiras preparando
"poções do amor" à base de plantas e flores faz parte da mitologia
de vários povos. Não se sabe ao certo se as poções eram preparadas
para funcionar como um medicamento e acabavam agindo como afrodisíacos,
ou se a intenção era fazer mesmo um "feitiço" e as substâncias
presentes nas plantas agiam favoravelmente. A única certeza é
que essa história é muito antiga.
Acredita-se que os afrodisíacos tenham surgido na Grécia Antiga,
quando os gregos cultuavam Afrodite - a deusa do amor, da beleza
e da fecundidade - com cerimônias e rituais especiais, nos quais
eram ingeridas poções do amor, na esperança de que aumentassem
o vigor e o prazer sexual. Ervas, flores e especiarias regidas
por Afrodite (Vênus, para os romanos) eram usadas como ingredientes
no preparo dessas poções e, com isso, ganharam a fama de "afrodisíacos".
A cultura popular de povos do mundo todo tem muito a contar sobre
seus afrodisíacos. A respeito desse assunto, daria para escrever
um livro, mas a intenção aqui é mostrar algumas curiosidades que
relacionam esse assunto à plantas e flores. A ciência ainda enfrenta
muitas dificuldades para comprovar as propriedades verdadeiramente
"excitantes" dos chamados afrodisíacos. Certas linhas de estudo
defendem que o mecanismo que desperta o prazer nos humanos é resultado
de uma série de estímulos recebidos por meio dos sentidos (olfato,
tato, visão, paladar e audição) somados a uma boa dose de fantasia.
Seja pelo perfume , pelas substâncias quando ingeridas, pelo óleo
usado em massagens, em banho... enfim, algumas flores e plantas
ficaram famosas como poderosos afrodisíacos. Coletei algumas informações
sobre esse assunto e vejam só quantas coisas interessantes acabei
descobrindo:
Rosa (Rosa sp.): Uma das flores mais famosas
é, também, considerada um afrodisíaco. Ninguém menos que Cleópatra,
a rainha do Egito, a utilizava com essa finalidade. Conta-se que
a rosa era um dos ingredientes básicos de suas receitas de beleza
e, além disso, a sábia rainha cobria seu leito com pétalas de
rosas para garantir uma "tórrida noite de amor" com seu amado
Marco Antônio. O óleo de rosas era muito usado pelas mulheres
do Oriente - elas o espalhavam por todo o corpo, ao se prepararem
para o amor. Durante as pesquisas, descobri uma receita de Geléia
com Pétalas de Rosas considerada infalível, quando o assunto é
despertar o amor. Aqui, é necessária uma observação importante:
no preparo da geléia, nunca se deve utilizar rosas tratadas com
inseticidas, fungicidas ou qualquer outro produto químico. Se
quiser mesmo preparar a geléia, sugiro que produza seu próprio
ingrediente pois, além do prazer de cultivar uma roseira, você
estará garantindo que as flores estarão livres de qualquer substância
tóxica.
Jasmim
(Jaminum officinalis): Outra flor considerada afrodisíaca
há séculos. Várias espécies de jasmim apresentam um perfume doce
e envolvente. O óleo desta flor - um dos mais caros do mundo - é
usado como ingrediente na preparação dos mais valiosos perfumes
que hoje existem no mercado (o Chanel no. 5 é um deles). Muito ligado
ao aspecto feminino, o jasmim inspirava as canções ardentes e lascívas
dos poetas árabes. Era, também, uma das flores mais usadas pelas
"favoritas" dos sultões, ao se enfeitarem para as longas noites
de amor. Além disso, elas tomavam um banho com óleo de jasmim e,
depois, espalhavam-no pelo corpo em massagens sensuais. Para os
hindus, esta flor está intimamente ligada ao amor e, por isso, ainda
hoje é utilizada na montagem de grinaldas nupciais.
Sobre o óleo de jasmim, é interessante reproduzir as palavras de
Marcel Lavabre, em sua obra "Aromaterapia, a Cura pelos Óleos Essenciais":
"Graças aos supremos poderes sensuais, o jasmim é o melhor afrodisíaco
que a aromaterapia pode oferecer. No entanto, não deve ser considerado
um mero estimulante para o sexo. O jasmim desfaz a inibição, solta
a imaginação e deixa a pessoa num estado jubiloso. Num certo sentido,
o poder do jasmim só pode ser experimentado por completo por quem
se ama de verdade, pois ele transcende o amor físico e libera toda
a energia sexual tanto do homem quanto da mulher. É o melhor estimulante
do chakra sexual".
Ylang
Ylang (Cananga odorata): Assim como o óleo de jasmim,
a aromaterapia considera o óleo obtido das flores do Ylang Ylang
um poderoso afrodisíaco, que estimula o apetite sexual aguçando
os sentidos. Aplicado em massagens ou simplesmente vaporizado no
ambiente, acredita-se que esse óleo essencial é capaz de maravilhas.
Na Indonésia, por exemplo, era costume cobrir a cama dos recém-casados
com flores do Ylang Ylang., para inspirar uma ótima noite de lua-de-mel.
Sândalo
(Santalum album): Considerada uma árvore sagrada na Índia.
Existem registros em documentos antigos escritos em sânscrito e
chinês que atestam seu uso como incenso em cerimônias religiosas
e rituais onde se busca a elevação da alma. A destilação da madeira
interna produz um óleo grosso e amarelado, de fragrância doce, picante,
intensamente oriental. Na aromaterapia, o óleo de sândalo é utilizado
no tratamento de problemas ligados ao aparelho genito-urinário,
especialmente impotência e frigidez. Por sua ação tônica e estimulante
das funções sexuais, é considerado um afrodisíaco.
Catuaba
(Trichilia catigua): Este afrodisíaco tipicamente nacional
tornou-se conhecido no internacionalmente A planta, abundante no
Brasil, é usada na forma de chás e tinturas. Acredita-se que suas
propriedades estimulantes (como as do guaraná) atuem combatendo
o stress e aumentando a disposição orgânica.
Ginseng
(Panax ginseng): A raiz do ginseng, contorcida e ramificada,
lembra uma figura humana. Chineses e indianos consideravam a planta
um afrodisíaco, pois ao agir contra o stress, o cansaço e a falta
de energia, melhoraria o desempenho sexual, equilibrando o indivíduo
como um todo.
Jacinto
(Hyacinthus): - A raiz desta flor era utilizada cozida,
para tratar tumores dos testículos. Considerada uma flor masculina,
era usada por povos antigos como um tônico para aumentar o vigor
e o desempenho sexual nos homens.
Narciso (Narcissus poeticus): Os bulbos são
muito ricos em vários alcalóides e um deles - a narcisina - mesmo
sendo utilizado na medicina popular é altamente tóxico. Tidos como
potentes afrodisíacos, os bulbos do narciso eram usados no preparo
de infusões, "filtros do amor" e, principalmente, na produção de
uma água destilada que aumentaria a secreção de esperma. Mas, é
provável que o efeito produzido era mais narcótico do que estimulante.
Guaraná
(Paulinia cupana): Quando os primeiros europeus chegaram
ao Brasil, os índios já consumiam o guaraná como alimento e para
afastar o cansaço. A planta foi estudada pela primeira vez pelo
botânico Karl von Martius que, em 1826, visitou a região amazônica.
Sua fama como afrodisíaco viria do fato de que a planta apresenta
propriedades tônicas e estimulantes que afastam o esgotamento físico
e mental, aumentando a disposição geral do organismo.
Tomilho (Thymus vulgaris): Desde a Antigüidade, o
tomilho tem sido amplamente usado em terapias por suas propriedades
estimulantes e purificadoras. O aroma desta planta é considerado
energizante. Uma tradição muito antiga recomendava que, no final
de um dia cansativo, era só amassar levemente entre as mãos alguns
ramos de tomilho e aspirar o perfume para recuperar a energia e
aumentar a disposição para o sexo. Não há comprovação científica
que ateste o efeito, mas também não há qualquer contra-indicação
- assim, não custa nada experimentar...
Urucum
(Bixa orellana L.): O urucum tornou-se muito conhecido
graças ao pigmento extraído de suas sementes. Originária da América
tropical, é planta espontânea na região que vai das Guianas até
a Bahia. A pintura do corpo com o pó de urucum faz parte das tradições
indígenas, sendo usada há séculos, em cerimônias e rituais. Na medicina
popular, o urucum é utilizado desde o século XVII. Os indígenas
usam o pó das sementes como afrodisíaco e como um remédio contra
a intoxicação pela ingestão da mandioca-brava.
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